quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Autoestima

A autoestima é amar o que se é  (4). É o gostar de si, é o valor que uma pessoa atribui a ela mesma. A autoestima começa a ser formada nos primeiros anos de vida desde a gestação, continuando sua formação durante toda a infância.  A criança, desde a gravidez, recebe informações da própria mãe e do restante do ambiente externo que influenciam no seu desenvolvimento a partir desse momento e refletirá em toda sua vida.  

Tal Mãe Tal Filha, Tal pai Tal Filho, Brincadeiras, Crianças

O outro é fundamental na constituição do EU (6). É através do outro que nos constituímos como pessoa. É através do olhar do outro que nos conhecemos e nos valorizamos. O que os outros reconhecem e valorizam em nós é o que reconhecemos e valorizamos em nós mesmos (4), como que um espelho.

Assim, a autoestima é influenciada por tudo aquilo que a criança ouve dos pais ou de outros cuidadores, dos professores e de pessoas próximas, de como é tratada por eles, do que eles ensinam sobre ela mesma. À medida que crescemos, o espelho de nossa imagem amplia-se para o campo dos amigos e na adolescência para os grupos de pertencimento (4). E assim, a criança pode funcionar na vida com ideias que não lhe pertencem, que foram introjetadas a partir da relação com os outros e crescem acreditando no que ouvem a cerca de si próprias (5).

Essas influências podem ser nutritivas, uma espécie de nutrição psicológica ou não. A nutrição psicológica refere-se aos processos psicológicos que contribuem para a configuração e reconfiguração do EU (3), ela é o provimento de alimentos afetivos indispensáveis para a formação da autoestima e do autoconceito saudáveis.
A depender de como se dá essa influência, a criança desenvolverá uma autoestima positiva ou uma autoestima negativa. Se em seu desenvolvimento emocional a nutrição psicológica da criança for consistente, haverá uma consolidação forte, criativa e saudável da autoestima, do conceito e da imagem corporal (3). Assim, crianças que são apoiadas, incentivadas, desenvolvem autoestima sólida, o que as tornam mais seguras, autoconfiantes e com facilidade de decidir sobre sua vida. 

Por outro lado, as crianças que são muito cobradas, que são oprimidas e não são estimuladas, se sentem inseguras, indecisas e sem autoconfiança (1). Como as crianças não jogam a culpa de seus problemas sobre os pais ou sobre o mundo exterior (5),  elas imaginam que elas próprias são más, que fazem algo errado, que  não são suficientemente bonitas ou inteligentes.

Diante da grande influência do outro, do olhar do outro, das falas do outro, do tratamento do outro na nossa autoestima, é necessário que pais, familiares e educadores estejam atentos para a relação que estabelecem com as crianças de sua convivência. Pois, para crescer emocionalmente felizes, as crianças precisam de cuidadores e de alimentos psicológicos que satisfaçam suas necessidades afetivas que sustentarão: sua inserção social ajustada e criativa; as aprendizagens cognitivas de que precisa para a realização de um processo saudável desenvolvimento (3).

Se quiser, você pode acessar e baixar o infográfico que fiz sobre autoestima aqui e você pode assistir ao vídeo em que falo sobre a autoestima. É só clicar na imagem abaixo.



Referências consultadas:

1 - Antony, S. e cols (2010). A clínica gestáltica com crianças: caminhos de crescimento. São Paulo: Summus;

2 - Cole, M. & Cole, S. (2003). O desenvolvimento da criança e do adolescente. Porto Alegre: Artmed;

3 - Pimentel, A. (2005). Nutrição psicológica - desenvolvimento infantil. São Paulo: Summus;
4 - Murgo, G. (2013). Gestar-se - resgatar a criança interior. Rio de Janeiro: Semente Editorial;
5 - Oaklander, V. (1980). Descobrindo crianças: a abordagem gestáltica com crianças e adolescentes. São Paulo, Summus;
6 - Kiyan, A. M. M. (2006). E a gestalt emerge: vida e obra de Frederick Perls. São Paulo: Altana.


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